Aluguel de salão de festas: quanto custa e o que fica fora do preço
O preço do salão que aparece no anúncio quase nunca é o que você vai pagar. Ele é o aluguel do espaço vazio, com mesas e cadeiras quando muito. Em volta dele vêm a equipe, a limpeza, a hora extra, a caução e, às vezes, a exigência de usar o buffet da casa. Por isso a pergunta certa não é "quanto custa o salão", e sim "quanto custa a festa neste salão".
Em outubro de 2026, o aluguel só do espaço, por um período de 4 a 6 horas ou por diária, ficava nestas faixas:
| Porte | Faixa (só o espaço) |
|---|---|
| Salão pequeno, até 50 pessoas | R$ 300 a R$ 3.000 |
| Salão médio, até 150 pessoas | R$ 1.000 a R$ 12.000 |
| Salão grande, acima de 150 pessoas | R$ 3.500 a R$ 45.000 |
| Chácara ou sítio, diária comum | R$ 400 a R$ 3.000 |
As faixas são largas porque misturam um aniversário simples num dia de semana e um casamento de sábado em alta temporada. O mesmo salão pode ter preços muito diferentes conforme a data. No salão pequeno, o casamento de sábado em alta temporada passa do teto da tabela.
Como se cobra
Três formatos convivem:
- Período fechado, em geral de 4 a 6 horas. Em clubes, às vezes por hora, com mínimo de 4.
- Diária, comum em chácara, sítio e espaços maiores.
- Por convidado, quando o espaço vem junto com o buffet. Aí o aluguel some dentro do preço por pessoa.
- Valor fixo com teto de convidados, mais uma taxa por pessoa acima do limite. Aparece em espaço menor, para festa de dia.
O pagamento costuma vir em duas partes: um sinal na assinatura (de 20% a 30% é o que se vê nos contratos) e o saldo até um mês antes. Em chácara e área de lazer de fim de semana, o sinal pode chegar à metade, e o saldo costuma ser pago na entrega da chave. Há quem dê desconto à vista. Para salão grande e data disputada, a agenda abre com até um ano de antecedência.
O que vem no aluguel e o que fica de fora
Em geral, vem:
- mesas e cadeiras;
- banheiros;
- ar-condicionado ou ventilação;
- às vezes, cozinha de apoio e estacionamento.
Quase sempre fica de fora:
- equipe: copa, garçom, segurança, recepção e manobrista;
- limpeza além da básica;
- hora extra;
- decoração, som e luz.
Espaços maiores às vezes incluem brigadista, eletricista, limpeza antes e depois e até a taxa do Ecad (o direito autoral da música). Há clube que dá algumas horas para arrumar o salão antes da festa, sem custo. Vale perguntar, porque isso muda a conta.
Dia e mês mudam o preço
Sexta, sábado, feriado e véspera custam mais. Domingo e o meio da semana, menos. Sair do sábado costuma cortar uma parte boa do total, e o dia útil corta mais ainda.
O calendário do ano também pesa. Em casamento, a alta vai de setembro a dezembro, com novembro no topo, e de janeiro a março a procura cai. No Natal e no Réveillon, chácara deixa de ter preço de diária e passa a ter preço de temporada. Essas datas costumam ser fechadas com meses de antecedência. Em espaço com piscina, o inverno é a época de menos procura.
As taxas à parte
São elas que transformam o preço de capa em outro número:
- Caução, devolvida depois da vistoria, se nada quebrou.
- Taxa de limpeza, que pode cobrir só a limpeza básica. Sujeira além disso pode sair da caução.
- Hora extra, que muitas vezes precisa ser pedida com antecedência e cobrada cheia. No dia, pode não haver prorrogação.
- Taxa de rolha, quando você leva a própria bebida. Não há lei federal sobre ela, e órgãos de defesa do consumidor aceitam a cobrança se ela foi avisada antes. Pergunte e peça o valor por escrito.
- Seguro, em alguns espaços.
- Taxa para fornecedor de fora, quando o salão aceita buffet ou decoração que não são da casa.
Combine também as regras físicas do lugar. É comum proibir prego, parafuso e fita adesiva na parede, limitar a potência elétrica e dar prazo curto para desmontar.
E se o salão exigir o buffet da casa?
Órgãos de defesa do consumidor tratam essa exigência como venda casada, proibida pelo Código de Defesa do Consumidor, quando ela é condição para alugar o espaço. Há quem pondere que pode haver razão técnica, como uma cozinha que só a equipe da casa pode usar. O ponto que pesa é a transparência: se a exclusividade aparece só depois do pagamento, você tem argumento para pedir o dinheiro de volta. Pergunte isso na primeira conversa, e peça a resposta por escrito.
Salão do condomínio e chácara
O salão do condomínio costuma ter só uma taxa de uso, bem mais baixa que um salão alugado. Em troca, tem as regras do regimento: reserva com dias ou meses de antecedência, horário para desligar o som (muitos param à meia-noite) e o morador respondendo pelos danos dos convidados. Faça a vistoria antes e depois, com foto, para não pagar por estrago que já estava lá.
A chácara dá mais espaço e liberdade, mas cobra mais organização: energia, água, banheiros e, muitas vezes, tudo o que é de cozinha e de serviço fica por sua conta. Muitas alugam só a área, sem mesa e cadeira. Aí elas entram na conta como locação à parte, que costuma ter pedido mínimo. Em geral, a locadora leva e busca, e confere as peças na retirada. Confira junto na entrega e avise na hora se algo chegou quebrado. Pergunte também se geladeira e freezer estarão ligados antes da festa. Há dono que só liga na hora de entregar a chave. E muitos só entregam a chave na manhã do dia, porque limpam a piscina bem cedo e preferem não ter gente no lugar na véspera. Se você precisa montar antes, combine por escrito. Se tem piscina, visite no horário em que a festa vai acontecer: o sol que bate de manhã pode sumir à tarde.
Lotação, barulho e documentos
Quem diz quantas pessoas cabem no salão é a licença do Corpo de Bombeiros (o AVCB, ou o documento com outro nome no seu estado), e não uma conta de pessoas por metro quadrado. Em pelo menos um estado, salão de festas precisa ter placa com a lotação na entrada. Pode pedir para ver a licença e o alvará na visita.
Sobre o som, o horário é definido pela lei municipal e pelo regimento do lugar. Há clubes que fixam limite de volume em área aberta. Em chácara e área de lazer, é comum o contrato proibir som automotivo e pedir som ambiente depois das 22h. Para quem aluga, esse é o ponto que mais dá atrito: se o som passa do combinado, o vizinho reclama com o dono, e o dono aparece na festa. Confirme antes de contratar a banda ou o DJ.
Salão alugado de pessoa física, sem atividade profissional, pode ficar fora do Código de Defesa do Consumidor e cair no Código Civil. Mais um motivo para pôr tudo no papel.
Antes de alugar, pergunte
- Qual é o preço total da minha data, com o dia da semana e o mês.
- O que está incluído: mesas, cadeiras, cozinha, limpeza, estacionamento, equipe.
- Quanto é a caução, quando ela volta e o que pode ser descontado. Peça a lista do que há no lugar (móveis, louça, talheres) anexada ao contrato.
- Como é cobrada a hora extra e até quando ela precisa ser pedida.
- Se posso levar buffet, decoração e bebida de fora, e se há taxa.
- Qual é a lotação na licença dos Bombeiros.
- Até que horas pode ter som, e com qual volume.
- Quanto tempo tenho para montar e desmontar.
- Como funciona o cancelamento e a remarcação, por escrito.
Peça também para ver o salão montado num dia de evento, se der. Ele vazio, numa terça à tarde, engana. Visite dois ou três antes de fechar e compare o que cada um entrega pelo preço, e não só o número. Repare no atendimento da visita: quem tem salão costuma dizer que é ele que se repete no dia da festa. E desconfie de preço muito abaixo do que se cobra na região. Há anúncio falso que usa fotos de um espaço de verdade para receber o sinal. Visite o lugar e confirme quem é o dono antes de pagar.
Nosso conselho: no dia, chegue antes de todo mundo e faça uma vistoria de entrada com fotos e vídeo, mostrando paredes, piso, móveis e banheiros. Faça outra na saída. Essa meia hora é o que mais protege a sua caução.
Equipe linkfestas
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