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Recreador infantil vale a pena?

Bambolês, cones, sacos de corrida e balões de modelar arrumados sobre a grama de um quintal.

Toda festa de criança tem aquele momento: os adultos conversando em pé, a música alta e as crianças correndo sem rumo pelo salão, ou pela casa, até alguém cair, brigar ou chorar. O recreador existe para esse intervalo. Ele organiza a bagunça em brincadeira, e com isso a festa ganha ritmo e os pais ganham folga para conversar.

Mas recreação não é obrigatória, e tem festa em que ela é dinheiro jogado fora. A resposta depende de três coisas: quantas crianças vêm, que idade elas têm e onde a festa acontece.

O que um recreador faz

O nome cobre muita coisa. Num pacote comum, entram brincadeiras dirigidas (de roda, de corrida, as "da época dos avós"), gincana, caça ao tesouro, música e dança. Dependendo do pacote, entram também pintura facial, tatuagem temporária, escultura de balão, oficina de massinha ou slime e personagem fantasiado. Alguns recreadores ajudam a organizar o lanche e o parabéns. Numa festa de 4 horas, a ordem mais comum é esta: brincadeiras de regra simples enquanto os convidados chegam, uma pausa para o lanche com as crianças sentadas juntas, uma atividade principal, como a caça ao tesouro, e o parabéns perto do fim. Combine o horário do lanche com o buffet. Sem essa pausa, muita criança passa a festa correndo e quase não come. O parabéns também costuma ficar com o recreador, que chama os adultos para perto da mesa. Passe antes o nome do aniversariante, e o apelido, se for assim que todos chamam: trocar o nome na hora do parabéns é um erro que o próprio setor admite que acontece.

A equipe costuma levar o material dos jogos. Caixa de som e luz, às vezes, só no pacote mais caro. Pergunte. E conte com a chegada uns 20 a 30 minutos antes do início, para montar, com um espaço livre esperando por eles.

Vale a pena quando...

  • A festa é em casa, no salão do prédio ou numa chácara, sem monitores do espaço. É o caso em que o recreador mais faz diferença.
  • Vêm mais de umas 10 crianças, de idades parecidas. Grupo grande sem ninguém conduzindo vira correria.
  • As crianças têm de 4 a 10 anos, a idade em que gincana e brincadeira dirigida funcionam melhor. Até uns 7 anos, a brincadeira rende mais sem competição. Jogo de equipe, com pontos e desafios, funciona melhor a partir dos 8.
  • Os adultos querem aproveitar a festa. É o elogio que mais se repete: com as crianças ocupadas, os pais conseguem conversar sem ficar chamando a atenção de ninguém. Mas recreador não é babá. Ele conduz o grupo, não cuida de cada criança. A que não quer brincar continua sob o olho dos pais, e o bom recreador chama a família quando uma criança sai do combinado.

Não vale a pena quando...

  • As crianças são muito pequenas. Para 1 a 3 anos, brincadeira dirigida rende pouco. Criança dessa idade fica no colo, brinca sozinha ou com os pais por perto. Há empresas que nem fazem recreação abaixo de 4 anos, ou que oferecem um espaço próprio para bebês, cobrado à parte. Se for contratar, peça atividade calma e sem muito barulho.
  • São poucas crianças e todas se conhecem. Cinco primos no quintal se viram muito bem. Em festa pequena e de orçamento curto, muita família troca o recreador por um brinquedo alugado, como cama elástica ou piscina de bolinhas. Sai mais barato, mas alguém da família precisa ficar de olho.
  • A festa é curta, de duas horas, com parabéns no meio. O tempo útil da recreação some.
  • O buffet já tem monitores e brinquedos. Pergunte o que os monitores fazem: só vigiam os brinquedos ou conduzem atividades? Se conduzem, você estaria pagando duas vezes. E, se for levar recreador de fora, combine antes com o buffet. Muitos querem as crianças nos brinquedos a maior parte do tempo, e a recreação acaba virando intervalos curtos entre um brinquedo e outro.
  • Os adolescentes são a maioria. Para quem tem 12 ou 13 anos, karaokê, videogame ou pista de dança costumam funcionar mais que gincana.

Quantos recreadores contratar

Não existe norma para isso. A prática do mercado é um recreador para 6 a 15 crianças, conforme a idade: quanto menores, menos crianças por adulto. Acima de 25 ou 30 crianças, as próprias empresas recomendam pelo menos dois.

A conta muda o preço. Uma festa com 30 crianças de 5 anos pede dois ou três recreadores, não um. Desconfie de pacote que promete dar conta de 25 crianças pequenas com uma pessoa só.

O preço por hora cai quando você contrata mais horas, e o pacote mínimo comum é de 2 horas. Quem trabalha no ramo costuma dizer que recreador pela metade do preço entrega outro tipo de trabalho. O valor cobre transporte, reposição de material, uniforme, ajudante e o custo das oficinas, e é aí que o barato costuma cortar.

A parte da pintura facial

Junto com a tatuagem temporária, é a atividade que mexe com a pele das crianças, por isso vale combinar antes.

Kit de pintura facial sobre uma mesa: paleta de tintas coloridas, pincéis, esponjas e lenços.
Na pele, só tinta feita para a pele, vendida como cosmético. Guache e tinta de artesanato ficam de fora.

Combine também que nenhuma criança é pintada sem o sim dos pais, e que quem não quiser pintar ganha outra atividade no lugar. Lembre ainda que tinta pode manchar roupa e estofado: vale perguntar se é lavável.

O que separa um bom recreador de um ruim

O bom recreador chega na hora, uniformizado, sabe "dominar" o grupo sem gritar e não deixa as crianças paradas. Antes de cada brincadeira, ele olha o espaço: quina de mesa, objeto no chão, passagem de garçom com bandeja. E sabe dizer não à criança quando a brincadeira fica arriscada, mesmo que pareça chato. E tem jeito com criança, o que nenhum pacote descreve, mas todo pai percebe em cinco minutos. Repare também no material: bambolê redondo, bola mole, tudo limpo. Quem trabalha bem higieniza o que leva de uma festa para outra e não deixa a sua antes da hora, mesmo com outro evento marcado depois.

O que dá errado também é conhecido: equipe trocada em cima da hora, atraso de horas, gente despreparada, atividade paga que não aconteceu (como a pintura facial ou a gincana) e, no pior caso, quem some depois de receber o sinal. Por isso, o nome da empresa garante menos do que parece. O que decide a festa é quem aparece na porta. E a troca de recreadores nas empresas é grande. Pergunte se a equipe segue um roteiro padrão de festa, que vale mesmo quando o dono da empresa não está na festa.

Repare em mais um detalhe do contrato: se a festa atrasa, a recreação pode acabar no horário combinado. Hora extra é negociada na hora e paga à parte.

Antes de contratar, pergunte

  1. Quem vai estar na festa, e se é a mesma pessoa que você conheceu ou viu trabalhando. Na véspera, mande à empresa o endereço completo e o telefone de alguém que estará no local. Muito recreador é chamado de última hora, e informação errada sobre o endereço é queixa comum de quem trabalha no ramo.
  2. Quantos recreadores para o número e a idade das suas crianças.
  3. O que está no pacote, atividade por atividade, e quanto tempo dura cada uma.
  4. O que eles trazem e o que você precisa ter: espaço, tomada, mesa, som.
  5. Qual tinta usam na pintura facial e se ela é regularizada na Anvisa.
  6. Como funciona com chuva, se a festa é ao ar livre. Em geral, a recreação vai para a garagem ou a sala, e alguém precisa liberar o espaço antes.
  7. O que acontece se a festa atrasar e quanto custa a hora extra.
  8. Se a empresa tem CNPJ ou MEI e contrato. Não é exigência legal para todo mundo, mas é a sua prova se algo der errado.
  9. Se a equipe tem noções de primeiros socorros. Não é obrigatório, mas é um bom sinal.
  10. Se a equipe come na festa. Parece detalhe, mas recreador sem lanche combinado acaba comendo no improviso, no meio da atividade.

Antecedência também conta: para sábado, há quem peça de um a três meses.

Nosso conselho: peça contrato com data, horário, número de recreadores e atividades, guarde o comprovante do sinal e confirme tudo por escrito na semana da festa. Recreação boa é a que você quase não percebe, porque está conversando com os outros pais enquanto as crianças brincam.

Setor de festa infantil